terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A diferença é a norma nesses sites de encontro - Fonte: New York Times




Sherry Nevius, solteira (52), está procurando por um companheiro com todos os importantes adjetivos – carinhoso, sincero, inteligente, divertido. Ah, e mais uma coisa: incapaz.

Nascida com paralisia cerebral, Sherry vive numa cadeira de rodas. Ela é independente e se move muito bem, mas gostaria de conhecer alguém que pudesse “rodar”ao lado dela. “Dessa maneira nós estaríamos de igual pra igual,” disse ela.

A Sra. Nevius já se encontrou com vários homens perfeitamente capazes, mas nenhum deles pareceu querer começar uma relação séria. “Acho que eles ficaram um pouco assustados porque não sabiam como me tratar,” comentou. Ela vive em uma pequena cidade do estado de Illinois chamada (pasmem) Normal. Um lugar com poucos solteiros da mesma idade que ela, que vivem sós e confortavelmente com suas incapacidades.


“É muito difícil encontrar alguém com interesses similares,” diz ela. “Encontrar alguém bacana com a mesma incapacidade que você torna tudo mais difícil.”

Diante disso Sherry decidiu partir para a Internet. Pra quem não sabe vários sites de encontro para solteiros com problemas de saúde invadiram a rede nos últimos anos. Sherry primeiramente se registrou no Dating 4 Disabled, um site para pessoas com várias incapacidades, incluindo paralisia e esclerose múltipla. Outros sites como oNoLongerLonely , para adultos com doenças mentais e o  POZ Personals , para portadores de HIV.
Esses sites geralmente são pequenos e são administrados por uma pessoa ou um pequeno grupo. São todos de acesso livre, apesar de alguns apresentarem publicidade para cobrirem seus custos.
Michael T. Maurer, 57, um professor de psicologia aplicada na Universidade de Nova York, entrou no POZ Personals enquanto fazia uma pesquisa para seu trabalho e descobriu uma comunidade muito simpática e de fácil acesso.
“Como gay de Bucks County que sou, pensei que seria fácil conseguir encontros em N. York, Mas não foi nada fácil,” disse o Dr. Maurer.  
Ele disse que a pior parte no encontro é a ansiedade para revelar a sua condição de HIV positivo. Conhecer alguém numa comunidade online só de pessoas com HIV permite com que as relações se formem de forma descomplicada sem o embaraço de ter de revelar algo tão íntimo. “Aqui todos sabem que você tem HIV,” diz ele, “então essa barreira não existe.”
Prescription4Love, é outro site que tem comunidades dedicadas às doenças sexualmente transmissíveis e incapacidades físicas, além de outras doenças que não necessariamente remetem ao romance e intimidade como Diabetes ou Mal de Parkinson. Esse site foi criado por Ricky Durham, cujo irmão mais velho sofria da doença de Crohn – uma condição que vinha literalmente com  uma bagagem.
“Ele tinha boa aparência, mas quando se diz para uma garota que você carrega um saco de colostomia? Noprimeiro encontro? No segundoNão  uma boa hora para isso.”
Assuntos embaraçosos que vêm acompanhados de uma doença podem ser discutidos francamente e abertamente num espaço online no qual todos estão lidando com algo corriqueiro.
“Sexualidade, viagem, mobilidade, dor... Tudo toma uma dimensão diferente,” diz Merryl Kaplan, que é o responsável pelos serviços dos membros do Dating 4 Disabled.
O anonimato da Internet permite que as pessoas se adiantem e sejam honestas sobre o que elas estão procurando em um(a) companheiro. Entre quase 12.000 membros desse site, por exemplo, muitos especificam os tipos de incapacidade eles estariam abertos para lidar numa relação de longo prazo.
“Como qualquer um, pessoas com deficiências têm preferências diferentes,” diz Merryl Kaplan. “Alguém com uma boa mobilidade deve preferir alguém também móvel.”
Já quanto à Sra. Nevius, o homem dos seus sonhos pode ser paralitico ou cego, mas há uma coisa que não é negociável: Ele tem de ser um amante animal.
“Meu cachorro e eu estamos juntos no pacote.”

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